Bertus
Arctic Monkeys – AM
Arctic Monkeys – AM
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Arctic Monkeys – AM
Quem diria que seria possível ouvir em monocromático? O quinto álbum de estúdio dos Arctic Monkeys é um disco deliciosamente sedutor, envolto em couro preto e empunhando uma faca de mola. Alex Turner e companhia passaram anos a transformar-se, do indie incisivo ao rock do deserto ensolarado, até ao pop psicadélico e caprichoso.
Foi apenas com o álbum AM que criaram um som tão seguro e tão fascinante. Os grooves densos sustentam o álbum. Batidas de bateria implacáveis e linhas de baixo sombrias, carregadas de distorção, deixam uma sensação de pavor e paranóia. Aquele pavor visceral associado a bandas como os Black Sabbath.
A atmosfera sombria é intensificada pela guitarra de Jamie Cook, que exibe a sua força sobre o ritmo envolvente. Mesmo com o swing característico da Motown em Snap Out Of It, o G-Funk vibrante de Why Do You Only Call Me When You're High ou as melodias dos Velvet Underground em Mad Sounds, sente-se violado.
A aura sinistra de Turner é palpável. A sua voz parece possuída por um demónio. Em canções como RU Mine?, One For The Road e I Wanna Be Yours, é acompanhado por um coro de almas condenadas. O seu rosto jovial está agora morto. Mantém o seu humor, mas as frases permanecem por mais tempo, os cabelos arrepiam-se e, tal como Turner, não consegue evitar voltar a ouvi-lo.
AM é mais sombrio, mais sensual e melhor do que qualquer coisa que os Arctic Monkeys tenham feito antes ou depois. Ouça depois da meia-noite. Apague as luzes. Fique de olho.
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